América Portuguesa e Formação da Sociedade Colonial

Autos da devassa da Inconfidência Mineira

1789–1792 · Minas Gerais · 20 de jan. de 2026

Fonte: Arquivo Histórico Ultramarino (reprodução digital de referência — PDF de demonstração)

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Anotação

O que ficou conhecido como "os autos da devassa" não é um único documento, mas um processo que se arrastou por quase três anos — de 1789, quando a denúncia de Joaquim Silvério dos Reis chegou ao governador Visconde de Barbacena, até 1792, quando a sentença final foi lida em praça pública no Rio de Janeiro.

O que a devassa revela

Ler os depoimentos hoje é entender como a repressão colonial trabalhava: cada inconfidente foi interrogado separadamente, repetidas vezes, num esforço deliberado de fazer as versões colidirem. Cláudio Manuel da Costa, que se contradisse mais que os outros, apareceu morto na prisão antes da sentença — oficialmente suicídio, uma versão que historiadores questionam até hoje pela ausência de investigação independente.

A reconstrução do plano que emerge dos autos é mais confusa e menos romântica do que a memória posterior da Inconfidência sugere: não havia data marcada, não havia exército organizado, e as divergências entre os próprios conspiradores sobre o que fazer depois de romper com Portugal — república, protetorado, ou algo entre os dois — nunca foram resolvidas.

Por que a fonte importa

Os autos são a base documental de praticamente tudo que se escreveu depois sobre a Inconfidência, inclusive a mitologia que transformou Tiradentes em mártir nacional. Comparar o que o processo realmente registra com o que a memória cívica posterior construiu é um dos exercícios mais reveladores de como uma nação escolhe seus símbolos fundadores.